• Renata Quirino

Frutos de Bondade

O bem praticado por alguém faz bem e ajuda positivamente àqueles que se encontram por perto. Esse foi o anúncio principal de Jesus Cristo ao convocar as pessoas para a construção do Reino de Deus. Para melhor entendimento de seu propósito, usou de parábolas conforme a linguagem própria do tempo. Uma delas é a plantação de uma vinha comparada com os objetivos idealizados do Reino.

A expectativa do vinhateiro é colher uvas saborosas. Mas acontece o contrário, as uvas são amargas. Essa realidade se encaixa perfeitamente na cultura moderna, como vinha que produz maus frutos para a vida do povo. Não se sabe onde está o problema, se na qualidade da semente plantada ou na terra desfavorável, num país de riquezas inconfundíveis, onde parte do povo tem vida amarga. O Brasil pode ser comparado a uma vinha produtiva, porque é um país privilegiado e com condições favoráveis para fazer uma boa colheita, mas depende do esforço de todos os brasileiros. Existe muita prática de destruição e de pouco zelo pela sua identidade. São gestos frequentes de irresponsabilidade, falta de partilha, de política suja, de desmatamento, de queimadas criminosas etc. Não faz bem eliminar a esperança da produção de uvas boas. A Nação tem solução, pode ser diferente, porque concentra possibilidades, riquezas naturais e humanas, mas supõe vontade política. A força está nas bases, no meio do povo, nos Municípios, no voto consciente. Vamos votar este ano naqueles que estão mais perto e no meio das comunidades, Vereadores e Prefeitos. Os frutos de bondade, atualmente esperados, dependem de uma trajetória coletiva de fidelidade apoiada nos principais valores éticos e morais da atual cultura. Sem honestidade e justiça é quase impossível colher frutos de confiança, porque as coisas não são feitas conforme as exigências de uma boa administração. Quantos frutos amargos acumulados pela grande maioria do povo brasileiro! A sociedade está repleta de grandes vinhateiros homicidas, que impossibilitam a vida digna de tanta gente. O excesso de riqueza sem o gesto fraterno da partilha acaba desvalorizando a dignidade da pessoa, que às vezes até age com gesto de violência contra o pobre. Na verdade, o importante mesmo é produzir frutos agradáveis para Deus, fundamentados na justiça e no amor ao próximo. Dom Paulo Mendes Peixoto Arcebispo de Uberaba

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