• Renata Quirino

Deus uno e trino

Apoiados numa rica e extensa fundamentação contida na Sagrada Escritura, podemos dizer que em Deus existe uma perfeita unidade, constituída pela natureza divina, porque Ele se manifesta de forma trinitária, no Pai, no Filho e no Espírito Santo. Isso significa unidade na diversidade de pessoas, realidade de comunhão, que é proclamada na solenidade da Santíssima Trindade.


A verdadeira unidade comunitária é fruto maduro da prática do amor, da gratuidade, da valorização das coisas boas que o outro faz, da superação de toda forma de inimizade, contenda, rivalidade, competição, críticas destrutivas etc. A desunião enfrenta um grande desafio, o desencanto por convivência mais fraterna e sadia. Essa prática pode ser consequência de negação da fé trinitária.


No gesto de manifestação, Deus constrói laços de profundo amor, porque vai ao encontro das pessoas e chega aos corações sensíveis. É o laço da antiga Aliança, de encontro com o ser humano com proposta que conduz ao caminho de vida e de benção para o povo. Esse caminho depende também da identidade da fé no único Deus, construída pela prática e fidelidade aos mandamentos.


O Deus, que é uno e trino, não é um ser divino totalmente sem compromisso, insensível e indiferente em relação ao sofrimento das pessoas mais desprezadas. Elas são seres humanos e têm direito à paternidade divina e a uma vida digna e plena. Na condição de Pai, Deus realiza um profundo gesto divino-humano, acolhe os seus filhos com carinho e amor, e os integra na sua grande família.


A identidade do cristão vem da Santíssima Trindade, isto é, do Batismo realizado no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Daí surge o que chamamos de “pertença” à Igreja, formando corpo com os demais cristãos. A Trindade Santa é uma comunidade divina, a fonte da comunidade cristã formada pelas pessoas batizadas. São formados laços de convivência, onde a responsabilidade é de todos.


Na Igreja, como comunidade de cristãos, neste tempo forte de pandemia, o que mais se evidencia é o belo gesto da solidariedade e da partilha fraterna. Não há preocupação em dar publicidade, mas em todas as inúmeras paróquias espalhadas por todos os cantos do Brasil, os cristãos têm demostrado seu compromisso com a vida das pessoas mais necessitadas devido ao tempo pandêmico.



Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba.

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